Alguma vez já te perguntaste como é que as grandes empresas conseguem controlar tanto as informações que vemos na Internet? Imagina que tens uma loja de gelados e a tua loja é sempre a primeira a aparecer quando alguém procura gelados na tua cidade, mesmo que hajam outras lojas incríveis. Recentemente, a Comissão Europeia decidiu multar a Google em 890 milhões de euros por favorecer os seus próprios serviços em vez de deixar os serviços de outras empresas terem a mesma visibilidade. Mas o que significa isso, e por que é que é importante?
Em termos simples, a Google é como um grande centro comercial onde várias lojas estão a oferecer os seus produtos. Quando alguém procura por “melhores hotéis” ou “onde comprar um novo telemóvel”, a Google mostra uma lista desses serviços. O problema é que a Google está a colocar a sua própria loja na frente de todas as outras, mesmo que as outras possam ser melhores ou mais baratas. Isto prejudica outras empresas que têm excelentes ofertas, mas que não conseguem atrair atenção suficiente pela forma como a Google organiza os resultados de pesquisa.
Pensa nisto como se estivesses a dividir uma pizza com os teus amigos. Se um dos teus amigos, que está a segurar a pizza, decide cortar uma fatia maior para si e dar as fatias pequenas aos outros, isso não seria justo, certo? No mundo digital, a Google estava a fazer algo semelhante. A Comissão Europeia descobriu que, entre muitas coisas, a Google estava a conduzir os consumidores a usarem mais frequentemente os seus próprios serviços, como comparação de preços e reservas de hotéis, enquanto escondia as ofertas de concorrentes que poderiam ser mais vantajosas. Segundo dados divulgados pela Comissão, isso viola a nova lei chamada Digital Markets Act (DMA), que pretende garantir que as grandes plataformas tratem todos os serviços de forma justa e igual.
Com esta multa, a Google vai ter de mudar a maneira como apresenta os seus serviços. De acordo com a Comissão, as empresas que distribuem as suas aplicações na loja Google Play também devem ser capazes de informar os clientes sobre outras opções que possam ser mais baratas, mas até agora a Google não estava a permitir isso. Ao contrário do que se esperava, muitos desenvolvedores de aplicações tinham dificuldades em comunicar essa informação. Por exemplo, alguns desenvolvedores não podiam dizer aos potenciais clientes que podiam comprar a mesma aplicação mais em conta noutros lugares. A hora de perceber que é preciso tratar todos de forma justa está a chegar, e a Google tem agora de implementar medidas para que isso aconteça.
Para quem vive em Portugal, esta situação pode ter um impacto significativo. Se a Google passar a dar visibilidade a mais serviços e ofertas de terceiros, os consumidores poderão encontrar melhores preços para hotéis, artigos de desporto ou apps que utilizem. A prestação da casa, os custos diários e outros gastos podem sentir uma melhoria se houver uma concorrência mais justa e acessível. As pessoas poderão descobrir ofertas que, de outra forma, estariam escondidas. Por isso, uma dica prática é manter sempre os olhos abertos para alternativas e nunca se esquecer de fazer uma pesquisa mais aprofundada quando estão a procurar produtos ou serviços. Às vezes, o que parece ser a primeira opção pode não ser a melhor escolha.
O que estamos a assistir agora é um lembrete sobre a importância da transparência no mundo digital. À medida que a Google, e outras grandes empresas, se adaptam a estas novas regras, todos nós, consumidores, podemos esperar um ambiente mais justo e equilibrado. Ter acesso a melhores informações e opções vai ser benéfico não só para as empresas que competem, mas também para todos nós que utilizamos esses serviços todos os dias.
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