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Um problema comum para os players tradicionais é a crença de que a tecnologia é simplesmente uma ferramenta para melhorar a eficiência.
Imagem: Shutterstock
Ea fusão de tecnologias como big data, IA e blockchain está remodelando as finanças. Novos produtos, como o financiamento de plataformas, os empréstimos peer-to-peer e os serviços de consultoria robótica, são exemplos desta transformação. Estes desenvolvimentos levantam questões importantes: Quão preocupadas devem estar as instituições financeiras tradicionais? Que estratégias podem os disruptores fintech e “techfin” (empresas de tecnologia que migram para os serviços financeiros) adotar para garantir o seu lugar neste cenário em evolução?
Existem duas ameaças principais ao setor financeiro tradicional. O primeiro vem de empresas fintech. Essas empresas oferecem serviços especializados, como plataformas de negociação de criptomoedas como Robinhood ou serviços de câmbio como Wise. A sua força reside na resolução de problemas que os bancos tradicionais e os gestores de património ainda não resolveram ou optaram por não resolver, dadas as suas implicações em termos de custos e riscos.
A segunda ameaça vem de gigantes da tecnologia como Alibaba, Tencent e Google. Essas empresas já possuem vastos ecossistemas de clientes. Eles não estão apenas oferecendo novas tecnologias – estão fornecendo serviços financeiros que competem diretamente com os bancos tradicionais. Ao alavancar as suas bases de clientes existentes, estão a ganhar terreno no setor financeiro.
Um problema comum para os players tradicionais é a crença de que a tecnologia é simplesmente uma ferramenta para melhorar a eficiência. Os bancos adotam frequentemente soluções digitais para competir com empresas fintech e techfin, pensando que serviços mais rápidos ou mais baratos serão suficientes. No entanto, esta abordagem é falha. É como colocar um produto antigo em uma embalagem nova. Estes disruptores não estão apenas a oferecer serviços mais rápidos – estão a resolver necessidades que os bancos tradicionais estão a ignorar.
Uma área em que os intervenientes tradicionais têm ficado aquém é a satisfação das necessidades dos investidores que não podem arcar com os elevados custos de entrada estabelecidos pelos bancos. As empresas Fintech e Techfin atingiram com sucesso esses grupos negligenciados.
Um excelente exemplo é Yu’e Bao do Alibaba. Revolucionou a participação no mercado de ações para milhões de investidores de varejo na China. Os bancos tradicionais estabelecem limites elevados para as transações, excluindo efetivamente os pequenos investidores. Yu’e Bao, no entanto, viu o potencial de reunir as contribuições de milhões de pequenos investidores. Esta abordagem permitiu-lhes criar um fundo enorme que permitiu a estes indivíduos aceder aos mercados. Os bancos tradicionais perderam esta oportunidade. O equivalente ao Yu’e Bao do Alibaba num ecossistema descentralizado são os robo-consultores, que criam inclusão financeira para investidores de retalho que de outra forma seriam negligenciados.
Estes exemplos mostram que os disruptores não estão apenas a utilizar novas tecnologias. Eles estão mudando o jogo completamente. Ao repensar a forma como os serviços financeiros são prestados, as empresas fintech e techfin estão a oferecer acesso, flexibilidade e acessibilidade de uma forma que as instituições tradicionais não oferecem.
O que os jogadores tradicionais podem fazer?
Para que as instituições financeiras tradicionais permaneçam competitivas, precisam de mudar as suas estratégias. Primeiro, eles deveriam considerar emagrecer. A era dos bancos universais que tentam fazer tudo acabou. Os clientes já não querem balcões únicos – procuram soluções personalizadas.
Em segundo lugar, em vez de oferecerem apenas os seus próprios produtos, os bancos poderiam agrupá-los com os de outros fornecedores. Atuando mais como consultores do que como promotores de produtos, eles podem agregar valor aos clientes. Em vez de competir diretamente com empresas fintech ou techfin, os bancos poderiam colaborar com elas. Oferecer uma gama diversificada de soluções construiria a confiança dos clientes.
Finalmente, os bancos devem parar de exigir exclusividade dos clientes. Os clientes de hoje preferem uma abordagem multicanal. Eles querem a liberdade de escolher entre uma variedade de serviços em diferentes plataformas. Os bancos precisam de parar de “aprisionar” clientes com elevadas taxas de saída e custos de transação. Em vez disso, deveriam reter clientes oferecendo valor real. Quando os clientes se sentem à vontade para ir e vir, é mais provável que fiquem porque sabem que estão recebendo conselhos imparciais e produtos que atendem às suas necessidades.
Isto exigiria uma abordagem de “plataforma aberta” que se concentrasse mais em atrair clientes porque eles são atraídos pelos benefícios do ecossistema do que em prendê-los ou bloquear a sua saída. É semelhante à mudança da Microsoft de um modelo de código fechado para um modelo de código aberto.
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Fintech e techfin têm a fórmula vencedora?
Embora os intervenientes tradicionais enfrentem os seus próprios desafios, as empresas fintech e techfin também devem permanecer atentas. Embora sejam excelentes na criação de serviços de nicho, estes disruptores muitas vezes carecem de uma compreensão mais ampla do ecossistema financeiro. Muitas empresas fintech e techfin são altamente especializadas. Eles conhecem bem os seus produtos, mas podem não compreender totalmente a sua concorrência ou como se posicionar no mercado mais amplo.
Para estes disruptores, a chave para o sucesso a longo prazo reside na colaboração. Ao aprender mais sobre os intervenientes tradicionais – e até mesmo estabelecer parcerias com eles – as empresas fintech e techfin podem posicionar-se para um crescimento sustentável. Seja através de alianças ou preenchendo lacunas de serviços nos bancos tradicionais, as empresas fintech e techfin podem beneficiar de uma melhor compreensão dos seus concorrentes e parceiros.
Aprendendo com a disrupção
Num mundo de rápidas mudanças tecnológicas, os profissionais financeiros procuram formas estruturadas de navegar neste cenário em evolução. Programas como o Strategic Management in Banking (SMB) do INSEAD oferecem uma combinação de teoria e experiência prática, ajudando os participantes a compreender as tendências atuais do setor.
Por exemplo, o SMB inclui simulações que refletem desafios do mundo real. Num deles, os participantes trabalham num cenário de gestão de riscos utilizando ferramentas quantitativas. Em outra, eles participam de uma simulação de liderança que se concentra em fazer as perguntas certas e compreender os números por trás de um acordo de aquisição. Essas experiências ajudam a preencher a lacuna entre o conhecimento teórico e a aplicação prática.
Igualmente importantes são as redes construídas através de tais programas. Com participantes provenientes de bancos tradicionais, empresas fintech e techfin, o ambiente incentiva a colaboração e a compreensão mútua – ambos cruciais no mundo financeiro interligado de hoje.
A próxima grande onda nas finanças
Olhando para o futuro, é pouco provável que a próxima onda de disrupção venha de tecnologias mais avançadas. Em vez disso, resultará provavelmente da mudança nas relações entre os bancos e os seus clientes. A vantagem competitiva das instituições tradicionais não virá apenas da tecnologia. Embora a eficiência dos preços seja necessária, não é suficiente.
O que irá diferenciar os bancos de sucesso é a sua capacidade de se conectarem com os clientes a um nível mais profundo. A tecnologia pode acelerar as transações, mas não pode substituir a confiança e a ligação humana que são fundamentais para os serviços financeiros. À medida que as finanças comportamentais continuam a crescer em importância, os bancos podem ir além da gestão do dinheiro e passar a gerir o comportamento dos clientes. Ajudar os clientes a superar preconceitos que dificultam as suas decisões financeiras será fundamental.
No final das contas, não se trata apenas de quão rápido ou eficiente são seus serviços. O futuro das finanças reside na combinação da inovação com os princípios intemporais de confiança, aconselhamento e visão humana. Tanto os intervenientes tradicionais como os disruptores terão de encontrar esse equilíbrio se quiserem prosperar nesta nova era.
[This article is republished courtesy of INSEAD Knowledge, the portal to the latest business insights and views of The Business School of the World. Copyright INSEAD 2024]
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